Mototaxista e 2 PMs estão foragidos na operação contra corrupção no Rio
Operação da Seseg e Ministério Público prendeu 22 PMs na segunda (15).
PMs faziam patrulhamento nas ruas para arrecadar propinas, diz promotor.
Um mototaxista e dois PMs continuam foragidos na operação comandada pela Secretaria de Segurança Pública (Seseg) e do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco) do Ministério Público, que prendeu 22 policiais nesta segunda-feira (15). Como mostrou o Bom Dia Rio nesta terça-feira (16), os acusados que estão soltos são suspeitos de fazer parte do esquema de arrecadação de propina de comerciantes e transporte irregular na região do 14º BPM (Bangu), na Zona Oeste do Rio.
De acordo com Cláudio Calo, promotor do Gaeco, um dos policiais foragidos é o major Edson Alexandre Pinto de Góes, coordenador de Operações Especiais do 14º BPM. Na casa dele, os agentes encontraram uma grande quantia em dinheiro.
“[Um deles] é um praça que fazia parte da equipe de arrecadação e o outro é o Major Edson, coordenador de Operações Especiais do 14º BPM, que tinha uma posição estratégica em toda associação criminosa do batalhão”, explicou.
Na ação realizada nesta segunda, o ex-comandante e coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira, que é o chefe do Comando de Operações Especiais (COE) da PM, foi preso em casa, no bairro do Leme, Zona Sul.
O promotor disse que Fontenelle, que já foi comandante do 41º BPM (Irajá), trouxe agentes de confiança, que faziam parte do esquema, quando foi transferido para chefiar o 14º BPM (Bangu). Os integrantes da quadrilha ocupavam posições importantes na hierarquia do batalhão, nas áreas de inteligência, policiamento ostensivo nas ruas e no Estado Maior.
"Ele mantinha essas pessoas nessas funções estratégicas e esse Estado Maior, que é quem deveria orientar e administrar as equipes de policiamento de trânsito. Essas equipes, ao invés de fazer policiamento para reprimir as irregularidades, faziam um policiamento ostensivo justamente para arrecadar as propinas", contou.
Detalhes da operação
A Operação Amigos SA tem objetivo de cumprir 25 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão. Até as 7h desta segunda, 22 pessoas haviam sido presas, todos policiais militares.Em nota, a PM informou que policiais presos irão responder por processo admistrativo e poderão ser expulsos da corporação.
A Operação Amigos SA tem objetivo de cumprir 25 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão. Até as 7h desta segunda, 22 pessoas haviam sido presas, todos policiais militares.Em nota, a PM informou que policiais presos irão responder por processo admistrativo e poderão ser expulsos da corporação.
Segundo nota do MP, as propinas variavam entre R$ 30 e R$ 2,6 mil e eram cobradas diária, semanal ou mensalmente, como garantia de não reprimir qualquer ação criminosa, seja a atuação de mototaxistas, motoristas de vans e kombis não autorizados, o transporte de cargas em situação irregular ou a venda de produtos piratas no comércio popular de Bangu. Segundo a Secretaria de Segurança, foram apreendidos R$ 287 mil e R$ 33 mil, na casa de dois suspeitos. A secretaria ainda não divulgou o valor total apreendido com os presos.
Ainda de acordo com a nota do Ministério Público, entre 2012 e o segundo semestre de 2013, os acusados e mais 80 pessoas, entre os quais policiais do 14° BPM, da 34ª DP (Bangu), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), além de PMs reformados, praticavam diversos crimes de concussão (extorsão cometida por servidor público) na área de atuação do 14° BPM.
'Balcão de negócios'
De acordo com a denúncia, baseada em depoimentos de testemunhas, documentos e diálogos telefônicos interceptados com autorização judicial que compõem mais de 20 volumes de inquérito, “o 14° BPM foi transformado em um verdadeiro ‘balcão de negócios’, numa verdadeira ‘sociedade empresária S/A’, em que os ‘lucros’ eram provenientes de arrecadação de propinas por parte de diversas equipes policiais responsáveis pelo policiamento ostensivo, sendo que a principal parte dos ‘lucros’ (propinas) era repassada para a denominada ‘Administração’, ou seja, para os oficiais militares integrantes ‘Estado Maior’, que detinham o controle do 14º BPM, o controle das estratégias, o controle das equipes subalternas e o poder hierárquico”.
De acordo com a denúncia, baseada em depoimentos de testemunhas, documentos e diálogos telefônicos interceptados com autorização judicial que compõem mais de 20 volumes de inquérito, “o 14° BPM foi transformado em um verdadeiro ‘balcão de negócios’, numa verdadeira ‘sociedade empresária S/A’, em que os ‘lucros’ eram provenientes de arrecadação de propinas por parte de diversas equipes policiais responsáveis pelo policiamento ostensivo, sendo que a principal parte dos ‘lucros’ (propinas) era repassada para a denominada ‘Administração’, ou seja, para os oficiais militares integrantes ‘Estado Maior’, que detinham o controle do 14º BPM, o controle das estratégias, o controle das equipes subalternas e o poder hierárquico”.
O MP informou que os acusados responderão na 1ª Vara Criminal de Bangu pelo crime de associação criminosa armada, que não consta do Código Penal Militar. A pena é de dois a seis anos de reclusão. Os integrantes da quadrilha também serão responsabilizados pelo Ministério Público pelos diversos crimes de concussão, que serão apurados pela Auditoria de Justiça Militar estadual.
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